Bonito é novamente destaque nas lentes de Alexandre Socci, com o Rio Sucuri como cenário
_Fotógrafo e documentarista retorna ao destino para produzir uma imagem noturna e inédita no Rio Sucuri
Olhar para Bonito e ser capaz de ver algo diferente, digno de uma imagem única, mesmo depois de milhares de cliques, será que é possível? Esse foi justamente o desafio do fotógrafo, diretor e documentarista Alexandre Socci ao pensar na Capital do Ecoturismo para criar uma fotografia que unisse o ambiente subaquático e a paisagem acima da superfície, com destaque para o céu noturno.
Com uma trajetória dedicada à fotografia de aventura, natureza e ambientes subaquáticos, Socci já percorreu mais de 160 territórios ao redor do mundo e acumula reconhecimentos nacionais e internacionais por seu trabalho. Entre eles, estão premiações e menções da National Geographic Adventure e do Canal OFF.

“Sou fotógrafo e documentarista, e trabalho com fotografia de aventura desde 2005. Ao longo da carreira, as expedições me levaram a fotografar esportes, paisagens e ambientes subaquáticos em diferentes partes do mundo. Bonito é um lugar ao qual volto há muitos anos e com o qual tenho uma ligação especial. Já fotografei seus passeios, suas cavernas e até a Ana Júlia, a sucuri que ficou conhecida por seus quase oito metros de comprimento. Essa familiaridade também me faz querer olhar para Bonito de outras maneiras. Sempre que termino um trabalho por lá, procuro reservar um tempo para tentar uma imagem mais desafiadora, algo que eu ainda não tenha visto”, explica.

A ideia inicial era fazer uma fotografia com a câmera posicionada na linha da água e uma mergulhadora no rio, enquadrando também a Via Láctea no céu e criando uma composição em que o céu e as águas cristalinas de Bonito se unissem. Com o plano definido, faltava encontrar o local perfeito — e foi aí que o Rio Sucuri entrou na história. Afinal, poderia existir cenário melhor do que um dos rios de águas mais cristalinas do mundo?
Socci compartilhou sua ideia com o também fotógrafo Fernando Peres, que mora na cidade e sugeriu o Rio Sucuri, auxiliando na definição do local exato e na preparação da cena. Eles também convidaram a mergulhadora Paula Corrêa, que participou do registro dentro do rio.

“A preparação exigiu conciliar o céu, a água e a posição da Paula. Usamos um aplicativo para prever onde a Via Láctea estaria e calculamos que a melhor janela seria entre 22h30 e 23h30. A fase da lua não era a ideal para fotografar estrelas, mas ainda havia uma possibilidade”, detalha o fotógrafo.
A equipe chegou ao local por volta das 20h para reconhecer o ambiente, definir o enquadramento, posicionar as luzes e instalar o equipamento dentro da água. A previsão indicava que a melhor janela para fotografar a Via Láctea seria entre 22h30 e 23h30.
A natureza, porém, trouxe uma mudança de planos. Naquela noite, uma frente fria chegou à região, trazendo vento e nuvens que acabaram encobrindo o céu justamente no horário planejado. Mesmo assim, Alexandre permaneceu no rio durante horas, até perto das 23h30, tentando aproveitar as condições disponíveis.
A Via Láctea não apareceu como previsto, mas a experiência resultou em uma imagem com identidade própria: Paula dentro das águas do Sucuri, a superfície do rio durante a noite e a atmosfera criada pelas condições daquele momento.
“A foto que conseguimos fazer não é exatamente a que eu havia imaginado, mas decidimos publicá-la porque ela tem força própria e conta a história real daquela tentativa. Para mim, a missão foi cumprida, embora a imagem com a Via Láctea continue nos meus planos”, afirma Socci.

Para o fotógrafo, o resultado reforça justamente o que o atrai na fotografia de natureza: a possibilidade de retornar a lugares conhecidos e descobrir novas formas de apresentá-los. Nem sempre o cenário se comporta como planejado, e muitas vezes são essas mudanças que dão à fotografia seu caráter único.
O trabalho também evidencia uma característica que faz de Bonito um destino tão especial para fotógrafos e documentaristas: a capacidade de revelar novas imagens mesmo em paisagens já amplamente conhecidas.
No Rio Sucuri, essa experiência ganhou uma perspectiva pouco habitual, registrando durante a noite um ambiente normalmente associado à luz do dia e às águas cristalinas.
Fotografia: Alexandre Socci
Mergulhadora: Paula Corrêa
Participação na produção: Fernando Peres
Local: Rio Sucuri — Bonito, Mato Grosso do Sul
Texto: Kemila Pellin




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